ARQUITETURA SUBTERRÂNEA
As Villas Subterrâneas de Bulla Regia: Um Guia Casa a Casa
Um olhar mais atento sobre como as villas subterrâneas de Bulla Regia eram iluminadas e arrefecidas, e o que distingue a Casa da Caça, a de Anfitrite, a do Pescador e a do Pavão.
Veja os tours por Bulla Regia no GetYourGuide ↗Construindo para baixo para vencer o calor
A maioria das cidades romanas do Norte de África expandiu-se para fora e para cima. Os residentes mais abastados de Bulla Regia, em vez disso, afundaram todo um piso inferior das suas villas abaixo do nível da rua, envolvendo os compartimentos em torno de um pequeno pátio aberto que deixava entrar tanto a luz do dia como ar mais fresco. Corredores elevados recebiam janelas superiores adicionais, e poços de ventilação separados mantinham o ar em circulação através de divisões que, de outra forma, se tornariam abafadas. É uma solução genuinamente diferente para o calor mediterrânico, comparada com os pórticos sombreados e as paredes espessas usados noutras partes do mundo romano — mais próxima de uma cave escavada por conforto do que de uma adega escavada para armazenamento, e suficientemente rara para que Bulla Regia continue a ser um dos melhores lugares do mundo para a observar.
Casa da Caçada: a peça de exibição em estilo basílica
A Casa da Caça é a demonstração mais completa desta técnica. O seu piso subterrâneo está construído em torno de um pátio peristilo com colunas, com poços de luz que alimentam uma planta rematada em abside, frequentemente comparada por críticos de arquitetura a uma basílica. Os pavimentos em mosaico permanecem no lugar em toda a extensão, conferindo uma rara sensação de interior romano exatamente como os seus proprietários o deixaram, e não como um museu o dispôs. Como o pátio é relativamente amplo, a Casa da Caça costuma ser a mais fácil de interpretar entre as villas subterrâneas de Bulla Regia numa primeira visita — a lógica da luz, do ar e da pedra fresca torna-se imediatamente visível sob os pés e acima da cabeça.
Casa de Anfitrite: luz através de um único corredor
A Casa de Anfitrite funciona de forma diferente. O seu pátio subterrâneo abre apenas para um dos lados, pelo que a maior parte da luz do triclínio, dos dois pequenos quartos e da cozinha entra por janelas colocadas em altura num único corredor, em vez de um pátio aberto por cima. É uma versão mais compacta e engenhosa da mesma ideia — menos luz natural, mais engenharia. A casa deve o nome a um mosaico outrora considerado como representando Anfitrite, esposa de Neptuno, montada numa criatura marinha, ladeada por tritões-centauros e cupidos sobre golfinhos. É um dos mais belos mosaicos romanos já encontrados no Norte de África, e nunca saiu do chão onde foi assentado.
Casa do Pescador: a mais antiga das villas subterrâneas
Menor e, segundo a maioria dos relatos, a mais antiga das casas subterrâneas de Bulla Regia, a Casa do Pescador apresenta um pátio mais modesto do que os seus dois famosos vizinhos, mas segue o mesmo princípio básico de um piso inferior rebaixado e banhado por luz natural. Uma fonte existiu outrora na sua cave, e uma pequena sala preserva um painel de mosaico com temática piscatória — um contraponto doméstico, quase lúdico, à grandiosidade mitológica do mosaico de Anfitrite nas proximidades. É fácil passar por ela sem dar conta se estiver a circular depressa entre as duas casas principais, mas compensa os poucos minutos extra que leva a observá-la como deve ser.
Casa do Pavão e o resto da cidade subterrânea
As casas da Caçada, de Anfitrite e do Pescador atraem a maior parte da atenção, mas não são as únicas villas subterrâneas no local. A Casa do Pavão e uma estrutura posterior conhecida como Nova Casa da Caçada tinham ambas programas de mosaico elaborados — alguns painéis foram removidos para coleções de museus ao longo do último século, o que explica em parte por que as casas que ainda conservam os seus pavimentos intactos parecem tão valiosas. No conjunto, as casas subterrâneas de Bulla Regia formam um pequeno bairro residencial construído inteiramente na lógica de escapar ao sol, e não um único edifício de exibição.
Comparando as quatro casas de relance
As quatro villas subterrâneas mais conhecidas partilham a mesma ideia de base — um piso inferior rebaixado e banhado por luz — mas cada uma resolve-a de forma ligeiramente diferente, e cada uma recompensa um tipo distinto de atenção. Use este guia como referência para saber onde abrandar: demore-se mais tempo na Casa da Caça e na Casa de Anfitrite pela arquitetura e pelos mosaicos, e não dispense as casas do Pescador e do Pavão só por serem mais pequenas, pois em conjunto completam o retrato da variedade que este estilo de construção subterrânea acabou por alcançar em toda a cidade. Lidas em paralelo, as quatro casas apresentam um argumento muito mais forte a favor do bairro subterrâneo de Bulla Regia do que qualquer villa isolada conseguiria sozinha.
As villas subterrâneas de Bulla Regia, comparadas
| Casa | Característica distintiva | Layout subterrâneo |
|---|---|---|
| Casa do Caçador | Pátio peristilo com colunata, traçado basilical de abside semicircular | Feixes de luz alimentando um pátio aberto |
| Casa de Anfitrite | Mosaico in situ de Anfitrite com tritões-centauros e golfinhos | Pátio pequeno de um só lado, luz vinda das janelas altas do corredor |
| Casa do Pescador | Fonte no subsolo e um painel de mosaico com tema de pesca | Design de pátio menor e mais antigo |
| Casa do Pavão | Programa de mosaicos elaborado, alguns painéis agora em coleções de museus | Plano semissubterrâneo semelhante |